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Verso e Prosa: poesias para a alma, crônicas para a vida (livro impresso): https://clubedeautores.com.br/livro/verso-e-prosa-2

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CONHECENDO O AUTOR DO BLOG

O professor e escritor Marcos Cortinovis Carvalho nasceu no Rio de Janeiro, na capital, em 1975. Após estabelecer-se profissionalmente como professor, foi morar em Mangaratiba, município da Costa Verde fluminense, onde permaneceu por três anos. Atualmente reside em Itaguaí, município da região metropolitana do Rio de Janeiro, compreendida entre a Baixada Fluminense e a Costa Verde.

Casou-se em 1998, tem dois filhos e um neto. Estudou Direito, mas não chegou a se formar, trancou o curso quando iniciou o quinto ano da faculdade e, em seguida, ingressou no curso de Letras. Fez especialização em Linguística e Língua Portuguesa e cursou Mestrado, cuja pesquisa volta-se à leitura e produção textual de alunos em privação de liberdade.

É professor da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro, possui duas matrículas públicas: por uma delas, é lotado em uma escola situada em um presídio, onde, além de lecionar Língua Portuguesa e Literatura, coordena trabalhos extraclasse – o Festival de Música e o Café Literário – os quais visam não apenas o desenvolvimento intelectual dos alunos, mas também a sensibilidade artística deles; por outra matrícula, leciona Português e Literatura em Itaguaí.

Lançou-se pela primeira vez no mundo da literatura como escritor com a obra "Nos trilhos do trem e outras crônicas", em que, além de outros temas, inspira-se no dia a dia do trem suburbano do Rio de Janeiro.

Além disso, inspirou-se em cronistas pelos quais tem grande admiração – Luís Fernando Veríssimo, Stanislaw Ponte Preta, Rubem Braga e Zuenir Ventura – e pretende alçar mais voos no universo literário.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Figuras de linguagem


1) Leia os versos de Manuel Bandeira a seguir:

“Saio do hotel com quatro olhos,
Dois do presente,
Dois do passado.”

O trecho da construção poética em análise apresenta eminentemente duas figuras de linguagem, são elas:

a) hipérbole e antítese
b) metáfora e hipérbole
c) metáfora e antítese
d) paradoxo e metáfora
e) antítese e paradoxo


O texto a seguir serve de base às questões 2 e 3.

“As ondas amarguradas
Encostam a cabeça nas pedras do cais.
Até as ondas possuem
Uma pedra para descansar a cabeça.
Eu na verdade possuo
Todas as pedras que há no mundo,
Mas não descanso
As mulheres me dão corda
Mas somem nas alturas.
(…)
Aqueles olhos gritaram na minha direção
Mas depois desfaleceram.
O mundo se desfaz em pedra
Na minha direção,
Mas as pedras marcham, não param,
Não poderei descansar.
(Trecho de “Mas”, de Murilo Mendes)

2) O eu lírico expressa-se de maneira hiperbólica, ou seja, com exageros em:

a) “As ondas amarguradas / Encostam a cabeça nas pedras do cais”
b) “Eu na verdade possuo / Todas as pedras que há no mundo”
c) “Até as ondas possuem / Uma pedra para descansar a cabeça”
d) “As mulheres me dão corda / Mas somem nas alturas”
e) “Aqueles olhos gritaram na minha direção / Mas depois desfaleceram”

3) A linguagem poética de Murilo Mendes atribui a seres inanimados ações e sentimentos humanos, como em “as ondas amarguradas” e “as pedras marcham”. Esse recurso da linguagem é denominado:

a) metonímia
b) metáfora
c) prosopopeia
d) ironia
e) aliteração

4) (ENEM – 2007)
O açúcar

O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.
Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor
que se dissolve na boca. Mas este açúcar
não foi feito por mim.
Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
[dono da mercearia.
Este açúcar veio
de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.
Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não nascem por acaso
no regaço do vale.
(…)
Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.
(Ferreira Gullar. Toda Poesia. Rio de Janeiro:Civilização Brasileira, 1980, p. 227-8)

A antítese que configura uma imagem da divisão social do trabalho na sociedade brasileira é expressa poeticamente na oposição entre a doçura do branco açúcar e:

a) o trabalho do dono da mercearia de onde veio o açúcar.
b) o beijo de moça, a água na pele e a flor que se dissolve na boca.
c) o trabalho do dono do engenho em Pernambuco, onde se produz o açúcar.
d) a beleza dos extensos canaviais que nascem no regaço do vale.
e) o trabalho dos homens de vida amarga em usinas escuras.

5) Na sentença, “Este seu Leonardo da Vinci é falso ou verdadeiro?”, o nome do pintor Leonardo da Vinci é empregado como uma referência para um quadro do mesmo pintor. Ao adotar este recurso, apresenta-se uma figura de linguagem chamada:

a) zeugma
b) elipse
c) hipérbole
d) paradoxo
e) metonímia






GABARITO

1 – c
2 – b
3 – c
4 – e
5 - e

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Oração subordinada adverbial

Texto I
Quanto tempo resistimos sem comer nem beber?

Há registros de pessoas que suportaram até 200 dias sem comer, mas esse tempo sempre varia conforme a estatura. Sem água, porém, a resistência é bem menor e o estado de saúde torna-se bastante grave após cerca de 36 horas. Ficar sem comer por um ou dois dias normalmente não ocasiona problemas que possam afetar gravemente a pessoa. Essa situação não costuma causar mais que tonturas e dor de cabeça. “O jejum não tem indicação para ser usado de forma rotineira sob o ponto de vista médico, mas tem sido praticado desde a Antiguidade como preceito religioso para a purificação do espírito”, diz o endocrinologista Danilo Alvarenga de Carvalho. Quando feito sem controle médico, porém, o jejum pode implicar em sérios riscos para a saúde, inclusive levando à morte. Sem a ingestão de alimentos, o organismo começa a queimar suas reservas de energia, principalmente as gorduras.
Depois delas, consome as proteínas que compõem os tecidos. Ficar muito tempo sem se alimentar também provoca diversas alterações metabólicas e hormonais, com perda de vitaminas e sais minerais, alterações da pressão arterial, desmaios e problemas psicológicos. Mas a falta de água é bem mais grave. Um homem de estatura média contém em seu corpo aproximadamente 40 litros de água, necessária para resfriar o corpo.
Além disso, a água transporta as substâncias tóxicas que sobram da nutrição para serem eliminadas pelos rins e intestinos. Numa pessoa saudável, existe um equilíbrio entre a quantidade de líquidos ingeridos e eliminados. A perda desse equilíbrio em poucos dias é o suficiente para matar.
(Superinteressante Especial: Mundo estranho, agosto de 2001. Disponível em https://acessaber.com.br/atividades/interpretacao-de-texto-quanto-tempo-resistimos-sem-comer-nem-beber-9o-ano/)

1) Identifique a passagem que apresenta a ideia principal do texto:

a) “Há registros de pessoas que suportaram até 200 dias sem comer […]”
b) “Ficar sem comer por um ou dois dias normalmente não ocasiona problemas […]”
c) “[…] o jejum pode implicar em sérios riscos para a saúde, inclusive levando à morte.”

d) “Numa pessoa saudável, existe um equilíbrio entre a quantidade de líquidos ingeridos […]”

2) Em todas as alternativas, são apresentados os problemas mais graves decorrentes do jejum prolongado de alimento, EXCETO em:

a) “tonturas e dor de cabeça”.
b) “perda de vitaminas e sais minerais”.
c) “alterações da pressão arterial”.
d) “desmaios e problemas psicológicos”.

3) Neste trecho “Há registros de pessoas que suportaram até 200 dias sem comer, mas esse tempo sempre varia conforme a estatura”, a oração sublinhada tem valor de quebra de expectativa. Reescreva-a, transformando-a em uma Oração Subordinada Adverbial Concessiva:

4) Explique por que a oração destacada em “Um homem de estatura média contém em seu corpo aproximadamente 40 litros de água, necessária para resfriar o corpo” tem valor semântico de finalidade.

5) Em “Depois delas, consome as proteínas […].”, o pronome destacado substitui:

a) as tonturas e a dor de cabeça.
b) as reservas de energia.
c) as gorduras.
d) as substâncias tóxicas.

6) Na parte “Além disso, a água transporta as substâncias tóxicas que sobram da nutrição […].”, a expressão grifada estabelece uma relação de:

a) continuidade
b) comparação
c) conclusão
d) oposição

Texto II
7) A fala do personagem no primeiro quadrinho apresenta uma oração condicional:

a) Identifique-a:

b) Reescreva-a, usando a conjunção “caso”. Faça as adaptações necessárias:

8) Tirinhas são textos de humor. Em que consiste o humor dessa tirinha? 





Gabarito
1 – c
2 – a
3 - “apesar de esse tempo sempre variar conforme a estatura” (há outras formas de reescrever a oração, usando outras conjunções concessivas)
4 – Ela indica a finalidade de se ter aproximadamente 40 litros de água no corpo de um homem com estatura média.
5 – c
6 – a
7 – a) “Se um dia você usar o Facebook”
b) “Caso um dia você use o Facebook”
8 – O fato de o personagem dirigir-se a um sapo, fazendo crítica ao uso do Facebook.

Orações subordinadas adverbiais e adjetivas

Texto I
Durante anos, dei aulas em diferentes faculdades da Universidade Eduardo Mondlane. Os meus colegas professores queixavam-se da progressiva falta de preparação dos estudantes. Eu notava algo que, para mim, era ainda mais grave:uma cada vez maior distanciação desses jovens em relação ao seu próprio país.
Quando eles saíam de Maputo em trabalhos de campo, esses jovens comportavam-se como se estivessem emigrando para um universo estranho e adverso. Eles não sabiam as línguas, desconheciam os códigos culturais, sentiam-se deslocados e com saudades de Maputo. Alguns sofriam dos mesmos fantasmas dos exploradores coloniais: as feras, as cobras, os monstros invisíveis.
Aquelas zonas rurais eram, afinal, o espaço onde viveram os seus avós, e todos os seus antepassados. Mas eles não se reconheciam como herdeiros desse patrimônio. O país deles era outro. Pior ainda: eles não gostavam desta outra nação. E ainda mais grave: sentiam vergonha de a ela estarem ligados. A verdade é simples: esses jovens estão mais à vontade dentro de um videoclipe de Michael Jackson do que no quintal de um camponês moçambicano.
O que se passa, e isso parece inevitável, é que estamos criando cidadanias diversas dentro de Moçambique. E existem várias categorias: há os urbanos, moradores da cidade alta, esses que foram mais vezes a Nelspruit que aos arredores da sua própria cidade. Depois, há uns que moram na periferia, os da chamada cidade baixa. E há ainda os rurais, os que são uma espécie de imagem desfocada do retrato nacional. Essa gente parece condenada a não ter rosto e falar pela voz de outros.
(A fronteira da cultura, de Mia Couto. Acesso: http://www.cp2.g12.br/blog/cp2digital/files/2018/08/EMRM.pdf)
Vocabulário:
1 – Maputo: capital de Moçambique.
2 – trabalhos de campo: trabalho de pesquisa realizado fora da universidade.
3 – Moçambique: país africano.
4 – Nelspruit: cidade turística da África do Sul.

1) (Colégio Pedro II – 2018) No primeiro parágrafo do Texto, o autor compara suas impressões sobre os estudantes da Universidade Eduardo Mondlane com as impressões que os seus colegas professores tinham desses mesmos estudantes.
Em relação às impressões dos outros professores, é correto afirmar que o autor:

a) concorda com eles, pois todos consideravam os alunos despreparados.
b) discorda deles, pois o autor considerava os jovens distanciados do seu país.
c) concorda com eles, pois todos consideravam os jovens estrangeiros na própria nação.
d) discorda deles, pois o autor considerava os alunos parecidos com exploradores coloniais.

2) (Colégio Pedro II – 2018) Ainda no primeiro parágrafo do Texto I, Mia Couto apresenta sua tese a respeito do comportamento dos jovens para os quais dava aula.
Em relação a esse posicionamento, o segundo parágrafo cumpre a função de:

a) identificar a causa do comportamento observado.
b) oferecer um exemplo do comportamento observado.
c) fazer uma comparação em relação ao comportamento observado.
d) apresentar uma circunstância oposta ao comportamento observado.

3) Leia: “Quando eles saíam de Maputo em trabalhos de campo”. Que classificação essa oração deve receber? Explique sua resposta.

4) (Colégio Pedro II – 2018) Releia o seguinte trecho do Texto I: “Quando eles saíam de Maputo em trabalhos de campo, esses jovens comportavam-se como se estivessem emigrando para um universo estranho e adverso. Eles não sabiam as línguas, desconheciam os códigos culturais, sentiam-se deslocados e com saudades de Maputo.”
Uma reescrita coerente com a relação mantida entre os dois períodos do trecho destacado pode ser encontrada em:

a) [...] à medida que eles não sabiam as línguas, desconheciam os códigos culturais, sentiam- se deslocados e com saudades de Maputo.
b) [...] apesar de eles não saberem as línguas, desconhecerem os códigos culturais, sentirem-se deslocados e com saudades de Maputo.
c) [...] uma vez que eles não sabiam as línguas, desconheciam os códigos culturais, sentiam-se deslocados e com saudades de Maputo.
d) [...] caso eles não soubessem as línguas, desconhecessem os códigos culturais, sentissem-se deslocados e com saudades de Maputo.

5) Na frase “Aquelas zonas rurais eram, afinal, o espaço onde viveram os seus avós”, a palavra destacada é pronome relativo, pois se refere a um termo anterior. Que termo anterior é esse?

Texto II
Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. 
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

6) O texto se inicia com o seguinte enunciado: “Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas”. Nele existem duas orações subordinadas:

a) Identifique-as:

b) Qual a classificação dessas orações?

7) (Colégio Pedro II – 2017) No segundo parágrafo do texto II, o autor faz a seguinte afirmação: “Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser.”
Mantendo o sentido do texto, é possível reescrever essa frase do seguinte modo:

a) Já que estão engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser.
b) Para que sejam engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser.
c) Embora estejam engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser.
d) A menos que estejam engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser

8) (Colégio Pedro II – 2017) Releia a seguinte frase do Texto II: “ Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros.”
Analisando o sentido que as palavras “voo” e “pássaros” assumem ao longo do texto, conclui-se que elas representam, respectivamente:

a) raciocínio lógico e professores.
b) experiências e professores.
c) autonomia e estudantes.
d) deveres e estudantes.

9) No terceiro parágrafo, o pronome “elas” aparece duas vezes. A quem esse pronome faz referência no texto? 

10) Considere o contexto geral do texto II e diga qual a mensagem contida nele.





Gabarito
1 – b
2 – b
3 – Oração Subordinada Adverbial Temporal, pois a conjunção “quando” indica o momento da saída de Maputo para os trabalhos no campo.
4 – c
5 – Refere-se a “espaço”.
6 – a) “que são gaiolas” e “que são asas”.
b) Ambas são orações subordinadas adjetivas restritivas.
7 – a
8 – c
9 – Refere-se a “escolas”.
10 – A existência de escolas que aprisionam o pensamento (gaiolas) e escolas que asseguram a liberdade de pensamento (asas).

sábado, 30 de novembro de 2019

Intertextualidade

1) (ENEM – 2003)


(Operários, 1933, óleo sobre tela, 150x205 cm, (P122). Tarsila do Amaral)

Desiguais na fisionomia, na cor e na raça, o que lhes assegura identidade peculiar, são iguais enquanto frente de trabalho. Num dos cantos, as chaminés das indústrias se alçam verticalmente. No mais, em todo o quadro, rostos colados, um ao lado do outro, em pirâmide que tende a se prolongar infinitamente, como mercadoria que se acumula, pelo quadro afora.
(Nádia Gotlib. Tarsila do Amaral, a modernista.)

O texto aponta no quadro de Tarsila do Amaral um tema que também se encontra nos versos transcritos em:

a) “Pensem nas meninas/ Cegas inexatas/ Pensem nas mulheres/ Rotas alteradas.” (Vinícius de Moraes)
b) “Somos muitos severinos/ iguais em tudo e na sina:/ a de abrandar estas pedras/ suando-se muito em cima.” (João Cabral de Melo Neto)
c) “O funcionário público não cabe no poema/ com seu salário de fome/ sua vida fechada em arquivos.” (Ferreira Gullar)
d) “Não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada./À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” (Fernando Pessoa)
e) “Os inocentes do Leblon/ Não viram o navio entrar (...)/ Os inocentes, definitivamente inocentes/ tudo ignoravam,/ mas a areia é quente, e há um óleo suave que eles passam pelas costas, e aquecem.” (Carlos Drummond de Andrade)

2) (ENEM – 2007)
Texto I

Álcool, crescimento e pobreza
O lavrador de Ribeirão Preto recebe em média R$ 2,50 por tonelada de cana cortada. Nos anos 80, esse trabalhador cortava cinco toneladas de cana por dia. A mecanização da colheita o obrigou a ser mais produtivo. O corta-cana derruba agora oito toneladas por dia. O trabalhador deve cortar a cana rente ao chão, encurvado. Usa roupas mal-ajambradas, quentes, que lhe cobrem o corpo, para que não seja lanhado pelas folhas da planta. O excesso de trabalho causa a birola: tontura, desmaio, cãibra, convulsão. A fim de aguentar dores e cansaço, esse trabalhador toma drogas e soluções de glicose, quando não farinha mesmo. Tem aumentado o número de mortes por exaustão nos canaviais. O setor da cana produz hoje uns 3,5% do PIB. Exporta US$ 8 bilhões. Gera toda a energia elétrica que consome e ainda vende excedentes. A indústria de São Paulo contrata cientistas e engenheiros para desenvolver máquinas e equipamentos mais eficientes para as usinas de álcool. As pesquisas, privada e pública, na área agrícola (cana, laranja, eucalipto etc.) desenvolvem a bioquímica e a genética no país.
[Folha de S. Paulo, 11/3/2007 (com adaptações)]

Texto II

ÁLCOOL: O MUNDO DE OLHO EM NOSSA TECNOLOGIA




















— Ah, fico meio encabulado em ter de comer com a mão diante de tanta gente!
(ANGELI Folha de S. Paulo, 25/3/2007)

a) a charge contradiz o texto ao mostrar que o Brasil possui tecnologia avançada no setor agrícola.
b) a charge e o texto abordam, a respeito da cana-de-açúcar brasileira, duas realidades distintas e sem relação entre si.
c) o texto e a charge consideram a agricultura brasileira avançada, do ponto de vista tecnológico.
d) a charge mostra o cotidiano do trabalhador, e o texto defende o fim da mecanização da produção da cana- de- açúcar no setor sucroalcooleiro.
e) o texto mostra disparidades na agricultura brasileira, na qual convivem alta tecnologia e condições precárias de trabalho, que a charge ironiza.


3) (ENEM – 2011)











O anúncio publicitário está intimamente ligado ao ideário de consumo quando sua função é vender um produto. No texto apresentado, utilizam-se elementos linguísticos e extralinguísticos para divulgar a atração “Noites do Terror”, de um parque de diversões. O entendimento da propaganda requer do leitor:

a) A identificação com o público-alvo a que se destina o anúncio.
b) A avaliação da imagem como uma sátira às atrações de terror.
c) A atenção para a imagem da parte do corpo humano selecionada aleatoriamente.
d) O reconhecimento do intertexto entre a publicidade e um dito popular.
e) A percepção do sentido literal da expressão “noites do terror”, equivalente à expressão “noites de terror”.










GABARITO
1 - B 
2 - E 
3 - D 

Uso da Vírgula

O texto I serve de base às questões 1, 2 e 3.

Texto I
Encontrando base em argumentos supostamente científicos, o mito do sexo frágil contribuiu historicamente para controlar as práticas corporais desempenhadas pelas mulheres. Na história do Brasil, exatamente na transição entre os séculos XIX e XX, destacam-se os esforços para impedir a participação  da mulher no campo das práticas esportivas. As desconfianças em relação à presença da mulher no esporte estiveram culturalmente associadas ao medo de masculinizar o corpo feminino pelo esforço físico intenso. Em relação ao futebol feminino, o mito do sexo frágil atuou como obstáculo ao consolidar a crença de que o esforço físico seria  inapropriado para proteger a feminilidade da mulher “normal”. Tal mito sustentou um forte movimento contrário à aceitação do futebol como prática esportiva feminina. Leis e propagandas buscaram desacreditar o futebol, considerando-o inadequado à delicadeza. Na verdade, as mulheres eram consideradas incapazes de se adequar às múltiplas dificuldades do “esporte-rei”.
[TEIXEIRA, F L. S.; CAMINHA, I. O. Preconceito no futebol feminino: uma revisão sistemática. Movimento, Porto Alegre, n. 1,2013 (adaptado)] 

1) (ENEM- 2018) No contexto apresentado, a relação entre a prática do futebol e as mulheres é caracterizada por um:

a) argumento biológico para justificar desigualdades históricas e sociais.
b) discurso midiático que atua historicamente na desconstrução do mito do sexo frágil.
c) apelo para a preservação do futebol como uma modalidade praticada apenas pelos homens.
d) olhar feminista que qualifica o futebol como uma atividade masculinizante para as mulheres.
e) receio de que sua inserção subverta o “esporte-rei” ao demonstrarem suas capacidades de jogo.

2) No trecho “Na história do Brasil, exatamente na transição entre os séculos XIX e XX, destacam-se os esforços para impedir a participação da mulher no campo das práticas esportivas”, o uso da primeira vírgula é justificado por:

a) isolar termos de mesma função sintática
b) isolar aposto
c) isolar vocativo
d) separar orações
e) isolar advérbios

3) Em “Na verdade, as mulheres eram consideradas incapazes de se adequar às múltiplas dificuldades do “esporte-rei”, o termo sublinhado é uma locução adverbial, portanto o uso da vírgula, nesse caso, é:
a) opcional
b) obrigatório
c) uma questão estilística
d) característica do autor
e) inadequado

O texto I serve de base às questões 4 e 5.

ABL lança novo concurso cultural:
“Conte o conto sem aumentar um ponto”

Em razão da grande repercussão do concurso de Microcontos do Twitter da ABL, o Abletras, a Academia Brasileira de Letras lançou no dia do seu aniversário de 113 anos um novo concurso cultural intitulado “Conte o conto sem aumentar um ponto”, baseado na obra A cartomante, de Machado de Assis.
“Conte o conto sem aumentar um ponto” tem como objetivo dar um final distinto do original ao conto A cartomante, de Machado de Assis, utilizando-se o mesmo número de caracteres – ou inferior – que Machado concluiu seu trabalho, ou seja, 1 778 caracteres.
Vale ressaltar que, para participar do concurso, o concorrente deverá ser seguidor do Twitter da ABL, o Abletras.
[Disponível em: www.academia.org.br. Acesso em: 18 out. 2015 (adaptado)]

4) (ENEM – 2018) O Twitter é reconhecido por promover o compartilhamento de textos. Nessa notícia, essa rede social foi utilizada como veículo/suporte para um concurso literário por causa do(a):

a) limite predeterminado de extensão do texto.
b) interesse pela participação de jovens.
c) atualidade do enredo proposto.
d) fidelidade a fatos cotidianos.
e) dinâmica da sequência narrativa.

5) A vírgula indica as pausas breves que usamos nas falas. No entanto, mais que isso, ela deve estar em acordo com as relações sintáticas dos enunciados nas orações. Sendo assim, indique a opção em que a vírgula foi usada para isolar expressão explicativa:

a) “Em razão da grande repercussão do concurso de Microcontos do Twitter da ABL, o Abletras, a Academia Brasileira de Letras lançou no dia do seu aniversário de 113 anos” 
b) “baseado na obra A cartomante, de Machado de Assis”
c) “tem como objetivo dar um final distinto do original ao conto A cartomante, de Machado de Assis, utilizando-se o mesmo número de caracteres...”
d) “utilizando-se o mesmo número de caracteres – ou inferior – que Machado concluiu seu trabalho, ou seja, 1 778 caracteres”
e) Vale ressaltar que, para participar do concurso, o concorrente deverá ser seguidor do Twitter da ABL”


GARITO

1 – A 
2 – E
3 – B
4 – A
5 – D

Conjunções

1) Leia a manchete do jornal abaixo:




















A conjunção “mas” une duas orações estabelecendo entre elas uma ideia de quebra de expectativa, que é percebida, pois:

a) Se os crimes crescem, as investigações tendem a diminuir.
b) Se os crimes crescem, as investigações deveriam aumentar.
c) Se os crimes crescem, é sinal de que não há investigação.
d) Já que as investigações diminuem, os crimes deveriam igualmente diminuir.
e) Os crimes aumentam na mesma proporção que as investigações diminuem.

2) Considere a sentença abaixo:

“Marcos enfrentou congestionamento no trânsito e perdeu o início da reunião.”

As duas orações do período estão unidas pela conjunção “e”, que, nesse caso, atribui valor semântico de adição. Além disso, esse enunciado poderia ser reescrito com sentido de conclusão da seguinte forma:

a) Marcos enfrentou congestionamento no trânsito, porque perdeu o início da reunião.
b) Marcos enfrentou congestionamento no trânsito, porém perdeu o início da reunião.
c) Ora Marcos enfrentou congestionamento no trânsito, Ora perdeu o início da reunião.
d) Marcos não só enfrentou congestionamento no trânsito, mas também perdeu o início da reunião.
e) Marcos enfrentou congestionamento no trânsito, portanto perdeu o início da reunião.

3)
Tarefa

Morder o fruto amargo e não cuspir
Mas avisar aos outros quanto é amargo
Cumprir o trato injusto e não falhar
Mas avisar aos outros quanto é injusto
Sofrer o esquema falso e não ceder
Mas avisar aos outros quanto é falso
Dizer também que são coisas mutáveis…
E quando em muitos a não pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.
(CAMPOS, G. Tarefa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1981)

Na organização do poema, os empregos da conjunção “mas” articulam, para além de sua função sintática:

a) a ligação entre verbos semanticamente semelhantes.
b) a oposição entre ações aparentemente inconciliáveis.
c) a introdução do argumento mais forte de uma sequência.
d) o reforço da causa apresentada no enunciado introdutório.
e) a intensidade dos problemas sociais presentes no mundo.

4)
O Segundo Sol

Quando o segundo sol chegar
Para realinhar as órbitas dos planetas
Derrubando com assombro exemplar
O que os astrônomos diriam
Se tratar de um outro cometa
Não digo que não me surpreendi
Antes que eu visse você disse
E eu não pude acreditar
Mas você pode ter certeza
(…)
(Cássia Eller)

Na primeira estrofe da letra de música “O Segundo Sol”, há duas conjunções subordinativas que, respectivamente, dão ideia de:

a) causa e modo.
b) tempo e modo.
c) tempo e causa.
d) modo e finalidade.
e) tempo e finalidade.

5) (Enem-2014)
Miss Universo: "As pessoas racistas devem procurar ajuda"

SÃO PAULO - Leila Lopes, de 25 anos, não é a primeira negra a receber a faixa de Miss Universo. A primazia coube a Janelle "Penny" Commissiong, de Trinidad e Tobago, vencedora do concurso em 1977. Depois dela vieram Chelsi Smith, dos Estados Unidos, em 1995; Wendy Fitzwilliam, também de Trindad e Tobago, em 1998, e Mpule Kwelagobe, de Botswana, em 1999. Em 1986, a gaúcha Deise Nunes, que foi a primeira negra a se eleger Miss Brasil, ficou em sexto lugar na classificação geral. Ainda assim a estupidez humana faz com que, vez ou outra, surjam manifestações preconceituosas como a de um site brasileiro que, às vésperas da competição, e se valendo do anonimato de quem o criou, emitiu opiniões do tipo "Como alguém consegue achar uma preta bonita?" Após receber o título, a mulher mais linda do mundo - que tem o português como língua materna e também fala fluentemente o inglês - disse o que pensa de atitudes como essa e também sobre como sua conquista pode ajudar os necessitados de Angola e de outros países.
[COSTA, D. Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 10 set 2011 (adaptado)]

O uso da expressão “ainda assim” presente nesse texto tem como finalidade:

a) criticar o teor das informações fatuais até ali veiculadas.
b) questionar a validade das ideias apresentadas anteriormente.
c) comprovar a veracidade das informações expressas anteriormente.
d) introduzir argumentos que reforçam o que foi dito anteriormente.
e) enfatizar a contradição entre o que é dito antes e o que vem em seguida.


GARITO

1 – B 
2 – E
3 – B
4 – E
5 – E